MATLIT, vol. 5 (2017): Call for Papers & Call for Sounds

2016-06-08

MATLIT, 2017, vol. 5
VOX MEDIA: O Som na Literatura
Editores: Osvaldo Manuel Silvestre (Universidade de Coimbra) e Felipe Cussen (Universidade de Santiago do Chile)
Call for Papers

A naturalidade com que a ideia de literatura se traduz na ideia de texto e, esta, em «letras impressas em papel», é provavelmente responsável pela versão unilateral que o senso comum, bem como a doxa crítica, a todo o instante transmitem da relação do leitor com ela: a literatura é algo que se lê em silêncio. Ou melhor, a literatura é um texto que devém livro por meio de um processo de inscrição que, também ele, se torna invisível, uma vez que a materialidade do texto se anula em função daquilo que nele se transmite: ideias, sentidos, enfim, conteúdos.

E contudo, não há literatura sem um processo de inscrição material que faz de cada signo verbal uma coisa no mundo fenomenal, para ser vista antes de ser lida, e para ser lida em silêncio – ou não. Ou então, para ser dita, o que é uma outra forma de inscrição material, precedendo e dispensando a escrita ou seguindo-se a ela. Existem, como é sabido, histórias da literatura (ocidentais e não-ocidentais) nas quais a Voz precede a escrita, e existem argumentos filológicos em seu apoio – embora se possa suspeitar de que tais argumentos relevam de alguma pulsão revisionista. Não se trata, porém, de buscar um privilégio da Origem para o estudo da dimensão sonora do fenómeno literário, mas sim de admitir a relevância de tal estudo para uma versão mais completa, simultaneamente moderna e arcaica, de literatura.

No cruzamento das vanguardas históricas com as mudanças nas tecnologias de comunicação, a literatura abriu-se às materialidades do som, da voz e da performance, num processo que a mediação e reprodução técnica não deixou de acelerar e dramatizar, até à revolução digital (e à especificidade histórica e tecnológica da situação pós-digital). Este processo sofreu ainda a sobreposição do fenómeno da massificação, operando em grande medida num cenário de «re-oralização», embora já nos termos históricos de uma «oralidade secundária». Dos ambientes mais vanguardistas aos mais massificados, da Poesia Sonora à Spoken Word ou à Slam Poetry, sem esquecer esse vasto território intermédio ocupado pelas «leituras (ou récitas) de poesia», a consciência de que o planeta da literatura abarca também essas dimensões é hoje crescente: poesia fonética, poesia sonora, gravação de textos literários (pelos seus próprios autores ou por outros leitores), musicalização de poemas (sobretudo nos casos em que a voz não chega ao canto e se sabota a forma canção), leituras ao vivo, spoken word, slam poetry, rap

O volume 5 de MATLIT explora, pois, aquilo a que chamamos a literatura enquanto VOX MEDIA: a voz enquanto meio da literatura e as perturbações que o meio sofre pelo efeito combinado da performance e das tecnologias de mediação, representação e reprodução, sem esquecer a tensão entre corpo e tecnologia, entre a audibilidade/inaudibilidade do texto, entre o som e o sentido, entre a presença física ou a ausência do autor, etc. A intenção é, não apenas, a de produzir o catálogo e compêndio dos efeitos contemporâneos da VOX MEDIA sobre a noção de literatura, mas a de produzir uma arqueologia da VOX MEDIA e de todos os fenómenos recalcados pela sua invisibilidade histórica.

Os artigos devem ser apresentados até 31 de outubro de 2016. Para apresentação de artigos, os autores têm de registar-se no sistema da revista: http://iduc.uc.pt/index.php/matlit/login Consultar instruções para autores: http://iduc.uc.pt/index.php/matlit/about/submissions

 

MATLIT, 2017, vol. 5
VOX MEDIA: Sound in Literature
Editores: Nuno Miguel Neves e Tiago Schwäbl
(Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura)
Call for Sounds

O volume 5 de MATLIT explora aquilo a que chamamos a literatura enquanto VOX MEDIA: a voz enquanto meio da literatura e as perturbações que o meio sofre pelo efeito combinado da performance e das tecnologias de mediação, representação e reprodução, sem esquecer a tensão entre corpo e tecnologia, entre a audibilidade/inaudibilidade do texto, entre o som e o sentido, entre a presença física ou a ausência do autor.

Admitindo a relevância de um estudo das diferentes formas de inscrição material para uma versão mais completa, simultaneamente moderna e arcaica, de literatura, que não se esgote na ideia de texto como sendo apenas «letras impressas em papel», a revista MATLIT irá aceitar composições que se enquadrem, quer estética, quer conceptualmente, no âmbito da poesia sonora, composição texto-som, sound art, e práticas congéneres, para o Volume 5, a ser publicado em 2017, dedicado ao tema Vox Media.

Independentemente da estética, na selecção final será dada preferência às obras que demonstrem uma relação particular entre o resultado obtido e a sua abordagem conceptual, e que se revelem mais pertinentes no âmbito da discussão levada a cabo neste número da revista. As obras deverão ser inéditas, ter uma duração máxima de 10 minutos e ser enviadas num dos seguintes formatos: .mp3, .m4a, ou .wav, para o seguinte email: voxmedia.uc@gmail.com

O email deverá ainda incluir as seguintes informações:
1. Informação pessoal: Nome e bio entre 100 e 150 palavras.
2. Detalhes da obra: Título, duração da obra, descrição de no máximo 200 palavras com o conceito.
3. Instalação: Como deve a obra ser escutada (v.g. headphones ou  colunas)

Prazo
Os ficheiros áudio deverão ser enviados até 31 de dezembro de 2016. Os autores das obras selecionadas para publicação no volume 5 da revista MATLIT serão notificados até 28 de fevereiro de 2017. A publicação do volume 5 está prevista para junho de 2017.